Categoria:  Setor de Psicologia e Orientação EI/EFI
Publicado em : 8/7/2010
 
  Lição de casa
 

 Pais acabam cedendo e fazem as tarefas sem saber que podem prejudicar e muito o desempenho das crianças

 

Às vezes, com a intenção de ajudar, muitos pais acabam fazendo a lição de casa de seus filhos e se esquecem que essa é uma das únicas responsabilidades que eles têm quando pequenos.

Sempre que eles tiverem dúvidas em suas tarefas, o melhor a fazer é sentar, orientar e deixar que se virem sozinhos, como explica a psicóloga infantil Ângela Clara Corrêa: "O papel do pai é propor soluções, conversar com os professores e direcionar o filho sem fazer o dever por ele". Muitas vezes, a impaciência, a falta de tempo para explicar, o excesso de proteção ou o capricho fazem com que os pais tomem essa atitude. A conseqüência desse costume não é imediata, mas pode vir a prejudicar o aprendizado e atrapalhar o desenvolvimento intelectual das crianças. "A lição de casa é o momento onde o aluno desenvolve sua capacidade e se sente   orgulhoso quando   acaba. Além disso, ele   trabalha   a     disciplina,   o   limite e o enquadramento social”.
 
Para o professor Aderson Costa, chefe do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da UNB, os pais devem atuar como agentes facilitadores, ou seja, disponibilizar um tempo, fazer revisões e apontar os erros para dar atenção aos filhos. Esse ritual deve se transformar em parte de uma rotina pré-estabelecida. "Isso envolve ensinar os pequenos desde o Jardim da Infância até a adolescência a sentir prazer em executar o dever, fazer brincadeiras, mostrar que o filho é capaz de conseguir realizar e finalizar diversas atividades, sem esquecer de elogiá-los." Esses são fatores fundamentais para que eles cresçam saudáveis e criem o hábito de estudar sem problemas ou traumas.
 
O professor alerta também sobre o mal que pode ser causado quando os pais efetuam 100% a lição pelos filhos: "Os meninos e as meninas correm dois riscos: o primeiro é que um dia os pais não saberão mais do que trata o conteúdo e não poderão mais ajudar, aí eles ficam sem chão e tornam-se péssimos alunos. O segundo, é impedido que essas crianças sejam avaliadas e desenvolvam seu raciocínio lógico, causando um distúrbio de aprendizagem".

Muita gente recorre a professores particulares para recuperar algo que foi perdido durante a aula. É um recurso muito discutido por pedagogos e educadores, porém, quando esses "tutores" são acionados de uma forma correta podem ajudar as crianças a "andarem com as próprias pernas". Eles são recomendados em caso de plena dificuldade escolar, problemas psicológicos oriundos de conflitos familiares, alfabetização prejudicada ou problemas físicos como escutar mal, por exemplo. De qualquer forma, Aderson Costa acredita que seja melhor ainda se esse reforço for  em  grupo,  porque proporciona um suporte social.
 
A verdade é que, os pais são as figuras-chaves na formação dos pimpolhos e são eles que vão ensinar tudo o que quiserem às crianças. Eles devem prestar atenção em cada detalhe, observá-las e, principalmente seguir a recomendação de psicólogos e especialistas na educação: disponibilizar um tempo para passar com os filhos e se dedicar em ensinar sem fazer tudo por eles! "Não existe nada de outro mundo nessa receita, mas com a modernidade é cada vez mais difícil estar perto dos filhos. Por isso, o esforço deve ser constante e intenso", sugere a doutora Ângela Corrêa.

                                                                                                                                                                                               Natália Marques
 
 

 



 
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