Neste momento de transição é importante que os pais acompanhem a criança e trabalhem para que escola e família estejam em sintonia. A adaptação será facilitada se a criança puder sentir tranqüilidade e segurança na decisão dos pais de colocá-la na escola.
Os momentos iniciais exigem sempre um esforço de adaptação da criança, da família e daqueles que assumem seus cuidados. A época de adaptação é muito especial. Todos desejam que ela caminhe da melhor forma, mas para cada criança e cada família este processo ocorre de um jeito diferente e em parte imprevisível. Se este período for cuidadosamente planejado a criança certamente se adaptará com maior facilidade.
Não é só a criança que enfrenta mudanças, sua reação pode ser a mais evidente, mas a família também sofre neste processo. Para os pais a decisão de deixar seu filho na escola é dificultada por uma série de conflitos: por um lado a necessidade de trabalhar, por outro a crença de que filhos pequenos têm de estar junto aos pais. Neste momento é importante ter pessoas disponíveis para ouvir um desabafo, conversar, orientar e dar o apoio necessário.
É importante também que os pais sintam a escola como um ambiente seguro e acolhedor, conheçam o papel do educador e como é seu trabalho. Isto lhes permite viver esta fase com maior tranqüilidade, transmitindo segurança para seu filho e facilitando assim sua adaptação. Paralelo a isso é essencial que criem uma rotina para curtir seus filhos no tempo disponível, acariciando, brincando e mostrando seu amor por eles.
A partir de 6 a 8 meses de idade é comum os bebês estranharem e protestarem quando são separados de pessoas conhecidas. Isto é geralmente o que acontece quando o bebê chega na escola pela primeira vez. Com a criança um pouco mais velha a reação mais comum é chorar e agarrar-se à pessoa que lhe é mais familiar.
Os pequenos têm poucos recursos para se expressar, visto que ainda não se comunicam verbalmente e manifestam seus sentimentos através do corpo. A situação de adaptação pode desencadear diversos tipos de comportamentos. Além de chorar, ela pode adoecer freqüentemente, recusar alimentos, não dormir ou dormir demais, etc.
Em geral aos 2 ou 3 anos de idade os protestos parecem diminuir, pois a criança compreende melhor a separação e se envolve em brincadeiras com os
companheiros, mas mesmo assim poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, pois é a forma que a criança encontra para reagir frente às novas situações. É comum que aconteça nesta fase uma ambivalência de sentimentos: desejo de autonomia e necessidade de proteção ocorrendo simultaneamente.
É importante que pais e educadores possam compreender e respeitar o momento da criança de conhecer o novo ambiente e estabelecer novas relações. À medida que ela vai se integrando podem ser percebidas as influências positivas de sua permanência na escola: experiências sociais diferentes da experiência familiar, contatos com outras crianças em um ambiente estimulante e maior autonomia.
Orientações quanto à adaptação:
1. O período de adaptação varia de criança para criança. É único e deve ser avaliado individualmente.
2. A vinda da criança para a escola deve ser preparada; entretanto, evite longas explicações, pois isso pode despertar suspeita e insegurança.
3. O ingresso da criança deve acontecer de forma a aumentar gradualmente o tempo em que ela fica na escola. A presença de um dos pais é importante para este apoio.
4. Cuidados devem ser tomados nesse período de adaptação em relação a: troca de mobília do quarto da criança; retirada de chupeta ou fraldas; troca recente de residência; perda de parente próximo ou animal de estimação; nascimento de irmão.
5. O choro na hora da separação é freqüente e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola.
6. Não force com violência e ansiedade a criança a ficar na escola.
7. Evite comentários sobre a adaptação da criança em sua presença.
8. Cabe à mãe entregar a criança ao educador colocando-a no chão e incentivando-a a ficar. Não é recomendável deixar o educador com o encargo de retirar a criança do colo da mãe.
9. A mãe não deve sair escondida de seu filho. O ideal é despedir-se naturalmente, pois com o tempo ela vai perceber que volta todos os dias para buscá-la.
10. Lembre-se que o educador atende às crianças em grupo, procurando distribuir sua atenção igualmente.